Tensão, hambúrgueres e castigo: O panorama de uma noite que, se eu chamasse de “boa”, poderia ser um certo exagero de minha parte

TV 24 Returns

Poucos sabem, mas sou um grande fã da rede de lanchonetes Burger King. Meu afeto pelos lanches do Rei do Hambúrguer começou quando a primeira unidade da franquia chegou à minha cidade. Os sanduíches eram suculentos e maiores que os da lanchonete do Palhaço, então não foi muito difícil me conquistar.

Mesmo sendo fã, concordo que certas orgias gastronômicas do BK desafiam um pouco os limites do bom senso. É gostoso 4 ou 5 hambúrgueres no lanche? É. O lanche tem estrutura pra suportar toda essa carga? Eu não sei.

Divago. O fato é que domingo eu estava com muita vontade de comer nuggets.
“Ai, mas nuggets é feito com aquelas raspinhas do lápis que saem no apontador, Rafael”.
Já te falaram que é falta de educação interromper uma linha de raciocínio pra falar bobagens? Vai dormir! Cadê seu pai?

Continuando: Eu queria demais mandar um nugguetão pra dormir satisfeito, então, tomado pelo ímpeto, fui pegar o drive-thru. Alguns diriam que me faltou domínio próprio e que eu mereci o que me ocorreu a seguir, e talvez eu concorde.

Chegando à filial de minha preferência (pra você que é de Jundiaí: escolhi o da 9 de julho, o que por si só já é um erro), noto uma considerável fila de carros. Coragem tem, então entrei na fila. Eram 22h20.

22h30: Com a boca jorrando saliva, os nuggets tomavam conta do meu pensamento. Ao fundo, canções entoadas com urros guturais e guitarras distorcidas embalavam minha espera tal qual uma mãe embala seu bebê prestes a pô-lo para mamar.

22h32: Pela primeira vez, a fila anda. Nada pode arruinar meus sonhos.

22h35: Ando mais um tanto. Desligo os faróis para não zoar minha bateria. O cheiro da comida ainda regia a orquestra da minha mente num ritmo meio Carmina Burana, meio Danse Macabre.

22h40: Me aproximo da cabine. Serei o próximo. A ansiedade é próxima à de um primeiro encontro com a mulher amada.

22h43: Cansado da espera, mas desejoso pela comida, vejo o carro da frente se mover. Em breve eu seria o feliz dono de uma porção de pedaços de frango. Os olhos brilham. O estômago glorifica de pé. Uma das mãos segura firme o volante, a outra engata o carro na primeira marcha. Marcha essa que seria para a vitória completa. Chego me lambendo no caixa e sou recepcionado com um cartaz. Um cartaz que me deixou confuso, e então, me deixou catatônico. “ESGOTADO”, dizia um adesivo colado em frente aos nuggets.
-Boa noite, senhor. Qual o seu pedido? – Me perguntou a atendente.

Relutei. Quis pagar de ignorante. Eu não podia desistir tão fácil.

-Acabaram mesmo os nuggets ou é só essa promoção que esgotou?
-Acabaram os nuggets.

Decepção, tristeza. Amargura. O 7×1 estava completo.

22h55: Com os olhos rasos d’água, recebo um pacote de papel.
-Seu pedido, senhor – Me informou o atendente.
-Obrigado, parceiro. Bom trabalho aí pra você – Retruquei amigavelmente, mas com cara de quem tinha levado um pé naquele primeiro encontro com a mulher amada.

23h03: Já em casa, abro o pacote e retiro meu pedido. Dois lanches sabor desilusão.

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3 comentários sobre “Tensão, hambúrgueres e castigo: O panorama de uma noite que, se eu chamasse de “boa”, poderia ser um certo exagero de minha parte

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