Velórios, Malha Viária e o Mendigo Multinível: Um estudo de caso

O ser humano é movido por seus sonhos, desígnios, necessidades e, não menos importante, pelas oportunidades que a vida lhe oferece diariamente.

Se enganam os que pensam que as oportunidades surgem como produtos nas vitrines do shopping num sábado à noite ao lado da mulher amada. Não! Muitas oportunidades estão escondidas, e vão nos exigir alguma perspicácia para enxergá-las ou algum sacrifício para aproveitá-las.

Sua morte, por exemplo, pode ser ruim para seus amigos e familiares, mas rende 1 mês de pauta no programa da Sônia Abrão caso você tenha fama o bastante. “O lixo de um homem é o tesouro de outro”, bem dizia o provérbio.

Reforço aqui o seu direito de discordar de mim, afinal, eu nunca fui um expert em enxergar coisas (nem em passear no shopping com a mulher amada), MAS, quando eu sou um bom cãozinho e a vida me atira um osso, eu sei mordê-lo. O que narro a seguir, entretanto, foi uma batalha interna nunca antes experimentada por mim, e que me atormenta desde então.

O calor das tardes jundiaienses castigava as latarias dos automóveis. Embalado por “Pare de Tomar a Pílula”, do Odair José, e por uma versão forró da música Neon, do John Mayer, eu seguia para meu destino.

Entre o anda-e-para orquestrado pelos semáforos fui surpreendido por um barulho no meu espelho esquerdo. Dois saquinhos de bala pendiam ali. Olhei pelo retrovisor para tentar identificar a origem dos doces e avistei um mano que tava pendurando essas balas nos espelhos dos outros carros enquanto o farol não abria.

Havia um bilhete nas balinhas com os seguintes dizeres:

“Ajude minha família
R$2,00
que Deus lhe dê em dobro”

Fiquei um bocado confuso com aquela mensagem. Nunca imaginei que fosse ganhar R$4,00 por supostamente ajudar a família de alguém.

Entretanto, pensando uma segunda vez, aquela oportunidade logo se mostrou um excelente investimento, capaz de superar qualquer TelexFree. Pelas minhas contas, se eu comprasse 250 mil saquinhos de bala, a promessa daquele rapaz era de que eu receberia meu primeiro milhão. É difícil competir com esses números.

Talvez você me julgue como uma pessoa de coração podre, e talvez você esteja com a razão por pensar assim. Eu abri a carteira não pensando na família, mas naquela imagem do Silvio Santos com a maleta do Milhão nas mãos. Infelizmente, não havia em minha carteira uma nota sequer, apenas o cartão. O rapaz olhou pra mim com uma pose que lembra esse emoticon: ¯\_(ツ)_/¯

Ele não passava débito.

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